No âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Museus, o Museu Quinta das Cruzes acolhe um concerto que cruza música, memória e património, evocando diferentes dimensões da identidade cultural madeirense. O duo Plectro a Bec, formado por Ricardo Mota e Sara Faria, acompanhado pela voz e saber de Rui Camacho, propõe uma viagem sonora inspirada na tradição oral da Madeira, revisitada através de novos arranjos para bandolim, bandola e flautas de bisel.
O programa estabelece um diálogo entre a herança musical popular e a memória histórica associada ao legado de João Wetzler, industrial, antiquário e colecionador judeu refugiado na Madeira durante a Segunda Guerra Mundial, cuja importante coleção de pratas integra atualmente o espólio do Museu Quinta das Cruzes. Desta ligação nasce Rikúd ha-Shamárrita, obra inspirada na tradicional Chamarrita da Camacha e recriada sob influências da música klezmer, numa homenagem simbólica à vivência multicultural de Wetzler e ao encontro entre culturas que marcou a história da ilha.
O concerto assume ainda um caráter itinerante, iniciando-se na Sala 12 do Museu Quinta das Cruzes e conduzindo o público por diferentes espaços do museu. As duas últimas peças do programa serão interpretadas na Sala das Pratas, proporcionando uma experiência de proximidade com a coleção de ourivesaria oferecida por João Wetzler ao museu, onde música, memória e património se unem num mesmo percurso sensorial. Este momento assume-se, assim, como uma celebração da memória coletiva e da capacidade dos museus em preservar, reinterpretar e dar nova vida ao património cultural através da música e da arte.
Plectro a Bec
Plectro a Bec surge da junção do termo antigo ''plectro'', vulgarmente conhecido como palheta, e da terminologia francesa para flauta de bisel ''flute a bec''. Constituído por bandolim, bandola e flautas de bisel, este duo imerge numa viagem com obras desde o séc. XVI até ao séc. XXI, tendo já interpretado, entre outros autores, obras de Pietro Denis, Yasuo Kuwahara, Carlo Domeniconi, Giovani Francesco Giuliani, Fried Walter, Gabriele Leone, Philipp Telemann, etc.
Recentemente, dedicou parte do programa à música oriunda da tradição oral madeirense, tendo encomendado uma série de arranjos ao compositor Artur Fernandes, onde o ponto de partida foram as recolhas realizadas por António Aragão e Artur Andrade. É nesta tentativa de sofisticação musical da tradição oral para dois instrumentos singelos, onde surgem temas estilizados ao estilo de Bach ou Pachelbel, que surge o alinhamento para este concerto:
- Cantiga do mar - Caniçal
- Jogo do anel - São Vicente
- Caldeirinha - Ribeira Brava
- Cantiga da erva - Porto da Cruz
- Prelúdio e Poncha
- Fuga e Pé-de-Cabra
- Brinco de Oito - Camacha
- Mourisca de Santana - Tradicional de Santana
- Rikúd ha-Shamárrita - Camacha
- Bailinho da Madeira
É um duo formado por Ricardo Mota e Sara Faria, que convida um guardião da tradição oral madeirense, Rui Camacho. Com a sua voz e saber, tece pontes entre a memória e a música, transformando cada atuação numa viagem pela alma da Madeira.
