Museu Municipal da Ribeira Grande

Museu Municipal da Ribeira Grande

Ribeira Grande · Ilha de São Miguel

O Museu Municipal da Ribeira Grande encontra-se instalado no antigo Solar de São Vicente Ferreira (ou Ferrer), na rua homónima, na freguesia da Matriz. Assumindo um carácter de instituição polinucleada, o Museu Municipal, encontra-se inserido na Rede Portuguesa de Museus (RPM), integrando um conjunto de unidades museológicas autónomas: Núcleo - Museu da Emigração Açoriana, Núcleo - Casa do Arcano e Núcleo - Museu Vivo do Franciscanismo.

A missão do Museu Municipal passa pela investigação, interpretação, conservação, divulgação e comunicação dos testemunhos da cultura tradicional ribeiragrandense e micaelense.

O acervo do museu é composto, essencialmente, por coleções de cariz etnográfico que abrangem variados aspetos sociais, económicos e culturais que permearam o quotidiano da história do concelho da Ribeira Grande. Deste modo, encontram-se expostas permanentemente no Museu Municipal as coleções dos ofícios tradicionais (cantaria, carpintaria, sapataria, tecelagem, chapelaria, barbearia, tipografia e adega/lagar), fruto de doações e aquisições por parte do museu; a coleção do Presépio Movimentado do Prior Evaristo Carreiro Gouveia, o mais antigo presépio movimentado dos Açores; a coleção da cozinha tradicional, que tenta reproduzir uma cozinha tradicional de uma casa senhorial micaelense; a coleção da farmácia Vieira & Botelho, oriunda de Ponta Delgada, com caraterísticas de Arte Nova; a coleção de azulejaria, que abrange os séculos XVI a XXI, composta por azulejos locais, regionais, nacionais e ibéricos; a coleção de arqueologia, composta por artefatos recolhidos nas escavações, efetuadas no ex-Mosteiro do Santo Nome de Jesus e em outros locais da cidade e, por último, a coleção de arte sacra, da qual se destaca dois elementos de feição barroca: o retábulo em cedro branco e imagem alada de São Vicente Ferreira, possivelmente, datada do final do século XVII.

O Museu Municipal possui duas salas de exposições temporárias que, ao longo do ano, acolhem produções artísticas de variadas temáticas e tipologias. O acervo em reserva é constituído por uma série de artefatos fruto, maioritariamente, de doações e aquisições. Todos os meses, o museu destaca uma peça deste espólio de forma a divulgar ao público um acervo que, em parte, foi adquirido através da comunidade, efetivando, assim, o seu papel de museu de identidade.

Enquanto organismo cientifico-cultural, esta instituição de memória procura salvaguardar e transmitir o património cultural material e imaterial do concelho da Ribeira Grande, preservando no tempo todo um legado que se perpétua na visita a esta casa, que, com este ensejo, abriu portas ao público no dia 29 de junho de 1985.

O Solar de São Vicente Ferreira, com Ermida de advocação ao Santo, é uma construção, em estilo arquitetônico conhecido por “chã”, para os séculos XVII-XVIII. 

Permanece desconhecido quem mandou construir e quais os primeiros proprietários desta casa solarenga, tanto quanto se sabe, no primeiro quartel de setecentos, viveram aqui Francisco de Arruda e Sá, Capitão-mor [ou Sargento-mor?] da vila da Ribeira Grande e sua mulher Mariana Leite, filha de um bandeirante de terras brasileiro. De acordo com as pesquisas efetuadas, estes foram os fundadores da Ermida de São Vicente Ferreira, cuja escritura de doação data o dia 2 de janeiro de 1725. 

Em 1735, toda a propriedade incluindo a ermida, foi vinculada por Francisco de Arruda e Sá ao seu filho António de Botelho de Sampaio Arruda. O Solar sucedeu dentro da família do Capitão-mor até à sua permuta, em 1840, por António Francisco Botelho de Sampaio Arruda, seu bisneto e avô materno de José e de Ernesto do Canto, com o 1º Visconde da Praia. Em 1864, o Visconde cede-o ao seu filho, António Borges de Medeiros Dias da Câmara e Sousa, 1º Conde e 1º Marquês da Praia. No ano de 1917, um dos filhos deste marquês, António Borges Coutinho de Medeiros Sousa Dias da Câmara, 1º Barão de Linhó, herda o Solar. Em 31 de maio de 1976, o Solar de São Vicente Ferreira, no momento, propriedade da família do 3º Marquês da Praia e Monforte é adquirido pela Junta Geral do Distrito de Ponta Delgada.

Já na posse da Região Autónoma do Açores, em Auto de Cessão, do dia 09 de setembro de 1980, o prédio é cedido, a título precário, à Câmara Municipal da Ribeira Grande com destino exclusivo à instalação de atividades culturais, tais como colóquios, concertos, exposições e também para instalação duma casa etnográfica. 

Após o trabalho de uma Comissão Instaladora, criada em 1980, a 29 de junho de 1985 é inaugurada neste solar, a Casa da Cultura da Ribeira Grande. Bem integrada na vanguarda do seu tempo, a Casa da Cultura foi vista como a principal impulsionadora do desenvolvimento, da preservação e da comunicação da cultura e do património no concelho da Ribeira Grande.

Em 1993, a então Divisão de Ação Sócio-Cultural, começou por contemplar um Núcleo Museológico, e com a aprovação de um novo organograma camarário é criado o Museu Municipal da Ribeira Grande no ano de 2007.

No ano de 2010, o Museu Municipal da Ribeira Grande assume, ainda, um carácter de instituição polinucleada, inserida na Rede Portuguesa de Museus (RPM), sendo integrado por um conjunto de unidades museológicas autónomas, compostas pelo Museu da Emigração Açoriana, Casa do Arcano e Museu Vivo do Franciscanismo. 

O solar de São Vicente Ferreira é, por excelência, uma instituição de memória pela sua história inerente, pelo seu valor patrimonial, pela sua constante adaptação aos tempos e por todo o trabalho daqueles que este chão pisaram. 

Morada

Rua de São Vicente, 10
9600-539
Ribeira Grande
Ilha de São Miguel

Director(a) / Responsável

  • Sónia Moniz

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